
Há um tempo atrás eu estava numa performance de 12 horas consecutivas , junto a outros criadores em Teresina-PI. Pois bem, tinha definido para mim memso que não sairia do espaço onde performavamos( uma biblioteca pública) em nenhum momento , não comeria nada, nem beberia, etc.
A questão é que por volta das 2h da manhã, já transcorridos algumas horas( tinhamos começado às 18h ) , tive enfim que cerder o corpo ao descanso, porém tinha que continuar criando, alerta a todo o enviroment construido.
Então, lembro que me deitei no chão com livros em volta, me arrumando "poeticamente" mas, ligado nas possibilidades do ir e vir dos outros criadores em interação, como também das pessoas que foram nos ver; : .. foi , então, quando fui sendo tomado por um estranhamento em meu corpo, forte e real.
Como na hora , obviamente, não podia fazer qualquer reflexão sobre aquela sensação estranha, continuei minha saga ritual descansado o corpo e sequências de posturas deitadas no chão que iam se relacionando, em suas mudanças, com outros eventos simultâneios que ocorriam no espaço ; e depois de realmente sanado meu cansaço, fui levado naturalmente a um outro ciclo de atividades com os outros criadores, e assim até o final das 12 horas da performance.
Porém, nos dias seguntes a esse fato - e se arrastando por meses - sempre vinha me perguntando: O que meu corpo esta me dizendo naquele momento? Por que sentir aquilo?
Fui ficando cada vez mais alerta a meus prórpios processos de descanso cotidianos,pondo em cheque, devido aquele estranhamento que tive, a minha consciência a esse estado corporal. Pouco a pouco fui me dando conta, que eu sempre havia me colocado numa situação de descanso meio desatenta,percebendo-o automaticamente como uma inevitável poupança que visava "apenas" um novo ciclo de atividade posterioes, e concomitantemente , revertia o processo anterior de fadiga.
Ou seja, era uma ação que não estava fundamentada nela mesma- pelo menos de maneira sensivel profunda - sempre era sentida-pensada como algo inseparavels da condição contigente ao antes e o depois. E naquele momento da performance, pele próprio construto energético de se instalar no instante presente, eu estava, descansando verdadeiramente como sempre descansei, porém , estava fazendo do meu próprio ato de descansar algo mais que não era apensa uma poupança: era DESCANSAR SENDO UM DESCANSO QUE SE REVELA ALÉM , pela força ritulizado no ato de descansar , enriquecendo assim a consciencia a esse corpo. Foi essa condição "banal" que me levou a um outro tipo de consciência a essa condição tão vital do corpo, o descansar.
Desde então tenho pensado , e reunido pessoas , e estamos buscando construir uma poética do descanso. Num outro post , falo das questões práticas sobre a ação performática que estamos construindo, e que estão sendo engendradas através dessa perseguição carnal a esse estado obscuro.
Segue aqui à contextualização dessa pesquisa, que visa ao contrário de intelectualizar estericamente um processo artistico prático, mas, pelo contrário contextualizá-lo ao nosso ambiente cultural , aumentando assim o grau de consciência à nossa condição sensorial alienada às atividades do corpo , não selecionads como portagonsita pelo processo cultural, logo, ambiente cultural nos presdispõe a relega-las a segundo plano.
Sendo a função da arte justamnte é mater-se alerta a esses adormecimentos. Quero chamar atenção a nossa codição de corpo formatado pelo sistema cultural moderno e capitalista,assunto que é meu tesão por exelência.
"Sobre o Capitalismo e o Sentir "

David Harvey, Frederick Jameson entre outros "pós -modernos" - pensam o capitalismo como formatador do aparato sensorial do homem- comparando o sistema cultural que se constrói no modelo fordista- industrial com capitalismo de acumulação flexível; e as conseqüentes mudanças na maneiras de sentir o tempo e espaço nessa "linha" histórica perceptiva capitalista.
Ou seja, nosso corpo mudou( e continua sempre mudando) pelas condições do ambiente capitalista, que é organizado fortemente através de uma lógica social funcional, organizativas . Se vivessemos no século 15 ,por exemplo, perceberimos, sentiriamos,e contruiriamos nossas imagens internas de maneira diversa. E especificamente sentiriamos nosso descanso de forma diferente, com outro grau de conciência.
___________________________________________________
Capitalismo - Sistema cultural que se constrói sobre uma estrutura funcional baseada na racionalidade técnica e na crescente divisão do trabalho, entre outras características - históricas e atuais.
Sua esfera prática de atuação é mais abrangente que a da economia, pois insere no modo de vida e na cultura; na maneira de sentir, de perceber o tempo, o espaço, etc.
___________________________________________________
Walter Benjamim foi o primeiro refletir “a relação da transformação das condições de produção com as mudanças no espaço da cultura, isto é, as transformações do sensorium dos modos de percepção, da experiência social. (apud Martin Barbero)
Benjamin percebeu que o nosso corpo mudou com a modernidade capitalista.Se adaptando sensivelmente, ganhando habilidades e perdendo outras nesse porcesso de sobrevivência.
Lembramos que arte é a desestabilização a esse processo acomodativo fruto da adaptação ao ambiente.
___________________________________________________
A técnica acompanha o homem desde os primórdios, porém, ela vai sendo cada vez mais elaborada com o "avançar" da civilização ocidental.
O desenvolvimento técnico leva sempre mais a uma maior racionalização dos procedimentos, à crescente divisão do trabalho, à lógica funcional como premissa prática, à cultura da eficácia, enfim, ao modo de produção do sistema capitalista.
_____________________________________________________________
Técnica, Capitalismo, Sistema de organização social, Aparato sensível e cognoscente, Arte do Corpo, são dados reais intrinsicamente relacionados, influenciavéis.
____________________________________________________________
Martin Barbero chama atenção que “a integração das classes populares na sociedade capitalista é a proletarização não só no sentido da venda do trabalho, mas também naquele outro (sentido) que representa a interiorização da disciplina e da moral que os “novos tempos” exigem.”
____________________________________________________________
Adorno diz que tudo no capitalismo responde a uma função determinada pela razão instrumental, gerando uma estrutura funcional em que todas as pessoas estão – conscientes e também inconscientemente - submetidas. (apud Verlaine Freitas)
"O Nosso Problema"

spacer tunik
Podemos dizer pragmaticamente que o descanso do corpo é, só somente só, uma poupança que visa um novo ciclo de atividades?
.
Mas se nos afastarmos da sensibilidade formatada pelo lastro funcional, poderemos inferir sobre outras "funções" desse corpo em descanso?
.
Poderá ter o descanso uma outra razão de existir - além de reverter o processo de cansaço –já que a alienação perceptiva moderna foi pouco a pouco apagando os outros rastros sensoriais?
Lembrando Renato Cohen: a performance é uma experimentação em busca de um autoconhecimento. Logo, buscamos um experimento sensível que visa contestar tal certeza funcional em nossa carne, através desse pressuposto sensível, entre outras formatações, da formatação ditada pelo sistema cultural capitalista à experiência do descanso corporal.
O ato de criar descando é radicalmente alheio à sensibilidade formada pelo sistema cultural capitalista, ou usando as palavras Martin Barbero, é radicalmente contrária a “interiorização da disciplina “. Talvez, se guarde aí um lugar no corpo capaz de revelar outras possibilidades poéticas e críticas - logo ,políticas, - desestabilizando como se amoldou inconscientemente à estrutura social dominante a um processo tão vital da existência: o ato de descansar.
.
Que corpo em descanso é esse?
_________________________________
Qual são os atributos internos da relação cansaço-descanso?
_________________________________
Que camada grosseira, adaptada à funcionalidade social, nos dessensibilizou à poética(criadora) da função descanso?
______________________________________
Qual poética especulativa pode quarda um fôlego-qualquer-pista a outras revelações dessa questão?
__________________________________________
Avante, descansemos!














